Carlos Alberto Parreira, além ser técnico do Brasil nas Copas de 1994 e 2006, e preparador físico em 1970 e 1974, dirigiu as seleções de Kuwait (1982), Emirados Árabes Unidos (1990), Arábia Saudita (1998) e África do Sul (2010) | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Tenho ouvido comentários dando nota de que a seleção do Brasil na Copa do Mundo não pratica o que ficou conhecido como “futebol brasileiro”.
Isso me fez lembrar de como o Brasil de outrora, além de exportar talentosos jogadores, também tinha seus treinadores referenciados mundo afora.
Vi em Copas anteriores, Parreira treinando seleções Árabes, Renê Simões à frente da Jamaica, Felipão conduzindo Portugal e Zico, O Samurai de Quintino, sendo o guia da seleção japonesa.
Como não percebi qualquer notícia sobre a presença de treinadores brasileiros na Copa do Mundo de 2026, por curiosidade, resolvi perguntar ao Google.
E o que veio de lá soou mais ou menos assim:
“Oh Robertinho, se nem o Brasil quis um técnico brasileiro, você acha que algum outro país iria querer?”
O Google ainda me apresentou uma texto, do Comitê Olímpico, para relembrar “técnicos brasileiros à frente de seleções estrangeiras em Mundiais” . Através dessa postagem fiquei sabendo que o glorioso Evaristo de Macedo, entre outros, também treinou seleção estrangeira.
O texto também menciona o caso de Didi, o “Folha Seca”, que treinou o Peru em 1970 e como retratado na série “Brasil 70: A Sada do Tri”, da Netflix, enfrentou o Brasil naquela Copa, assim como Zico à frente do Japão em 2006.
Quero citar ainda o caso de Joel Santana, que mesmo não tendo ficado até a Copa de 2010, conseguiu relativo sucesso durante seu período no comando da África do Sul, os Bafana Bafana, em 2009.
É perceptível que a diminuição da demanda por técnicos brasileiros não parte apenas das seleções. Hoje, como podemos observar, existem muitos profissionais de fora conduzindo importantes equipes de futebol no campeonato nacional.
Longe de ser bairrismo ou algum tipo de xenofobia, não sou totalmente contra um técnico de outro país comandar a seleção brasileira, a questão é o perfil e o tipo do futebol apresentado.
Sendo um estrangeiro valeria a pena pensar em nomes como Pepe Guardiola ou Jorge Jesus. Ambos, além de terem afinidades com o país, conduzem um estilo de jogo mais próximo à escola brasileira de futebol, pautado na ginga e no toque de bola.
Infelizmente, em mundo altamente tecnicista onde até a arte do futebol passa a ser regida por dados, planilhas e rigores de esquemas táticos, não é de se estranhar a reverência a outras escolas e a falta de convites aos nossos mestres.

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